Autora paraense transforma desafios da imigração em literatura inspiradora e lança revista para conectar brasileiros na Europa
Do Pará para o Mundo: Uma História de Coragem
Maria Evana Ribeiro Kens nasceu no interior do Pará como filha do meio de sete irmãos. Aos 11 anos, mudou-se para Belém acompanhada da avó e do padrasto. Posteriormente, o amor a levou ao Rio Grande do Sul aos 21 anos.
Mãe de três filhas, ingressou na universidade aos 35 anos para realizar o sonho de ser jornalista. Entretanto, após a formatura, descobriu as limitações do mercado. Por isso, reinventou-se trabalhando com assessoria de comunicação e produção cultural.
Separada aos 42 anos, decidiu conhecer a Holanda através da irmã. Foi lá, inclusive, que começou a escrever suas histórias. Durante a pandemia de 2021, encontrou um novo amor e casou-se novamente.
A Escrita Como Ferramenta de Transformação
Desde criança, Maria entendia que a literatura seria sua porta para outro futuro. Aos 7 anos começou a ler. Consequentemente, aos 10 já devorava livros com frequência.
“Entendi que a melhor forma de transformar minha vida era através do conhecimento”, revela a autora. Além disso, sempre esteve envolvida com artes: dança, teatro amador e fotografia marcaram sua trajetória.
Com 15 anos, já dirigia peças teatrais na escola. Mais tarde, todas as três filhas foram estimuladas a participar de atividades artísticas. Dessa forma, transmitiria a paixão pela arte às próximas gerações.
Jornada Holanda: O Livro que Nasceu da Saudade
Em 2018, durante a primeira viagem à Holanda, Maria começou a escrever o que seria seu primeiro livro. “Jornada Holanda: Minha Autodescoberta” foi publicado em 2024, portanto, seis anos depois.
A obra reúne contos sobre aspectos geográficos, culturais e emocionais da imigração. Ademais, aborda a saudade das filhas, os desafios da pandemia e a busca por si mesma.
“Escrevo para não esquecer as melhores coisas que aconteceram comigo”, explica a escritora. Aliás, ela não confia na própria memória. Por isso, registra tudo em cadernos e transformou essas anotações em narrativa literária.
Entre a Faxina e a Literatura
Durante a pandemia, Maria trabalhava fazendo faxinas enquanto escrevia seu livro. No entanto, recusava-se a aceitar aquilo como destino final. “Eu não sou faxineira, eu estou faxineira”, afirmava.
Colocava fones de ouvido para aprender inglês durante o trabalho. Logo depois, no trajeto de trem, escrevia tudo que pensava. Desse modo, costurava passado e presente através das palavras.
“Pensei: estudei tanto, tenho tantos conhecimentos. Por que estou fazendo isso agora?”, questiona. Dessa maneira, transformou a experiência em motivação para concluir o livro. Em seguida, fortaleceu a ideia de que aquilo era apenas um degrau temporário.
Pandemia e Distância: O Desafio do Colo de Mãe
O período mais difícil foi enfrentar a pandemia longe das filhas. “Não poder fazer uma sopinha quando estão doentes, não estar presente nos momentos difíceis”, lamenta.
O estresse da distância física era amplificado pelo medo constante. Além disso, os números de contaminação no Brasil cresciam assustadoramente. Apesar disso, Maria escolheu o olhar positivo.
“A escrita me ajudou terapeuticamente. Era um alívio escrever”, confessa a autora. Ao mesmo tempo, queria registrar o que sentia para futuras gerações. Afinal, seria um testemunho histórico de como as pessoas vivenciaram aquele período.
Choques Culturais e Descobertas: A Liberdade de Ser
Na Holanda, Maria enfrentou diversos choques culturais. A experiência da sauna naturista, por exemplo, trouxe reflexões profundas. “Você tem que se despir de muitos preconceitos que trazemos do Brasil”, reconhece.
Percebeu que não existe padrão estético rígido na Europa. Em contraste, as pessoas têm orgulho do corpo que possuem. Ninguém comenta sobre a aparência alheia publicamente.
“Aprendi que o corpo é sagrado para você e só para você”, explica. Portanto, o respeito deve ser o mesmo com roupa ou sem roupa. Hoje, sente-se liberta e à vontade consigo mesma.
Coragem Magazine: Conectando Brasileiros na Europa
Em 2024, Maria criou a MEVA Comunicação Integrada e lançou a Coragem Magazine Conexão Holanda. A revista existe tanto em formato físico quanto digital.
Além de trazer informações, a publicação compartilha histórias de outras mulheres imigrantes. “Quero saber e mostrar suas jornadas”, ressalta. Igualmente, incentiva a leitura em português na Europa.
A revista é trimestral e traz crônicas, colunas literárias e entrevistas. Ademais, a escritora Mara Parrela colabora com uma coluna sobre lançamentos literários brasileiros. Consequentemente, mantém leitores conectados com a produção cultural do Brasil.
Para acessar: @revistaconexaoholanda no Instagram, onde estão disponíveis todas as edições digitais.
Frankfurt 2024: A Consagração Internacional
Maria participou presencialmente da Feira do Livro de Frankfurt, a mais importante do mundo. Através da Rede Sem Fronteiras, esteve no estande de Portugal, em frente ao estande brasileiro.
“Foi uma grande experiência. A equipe da Rede Sem Fronteiras tinha um lugar muito privilegiado”, celebra. Além do livro, levou exemplares da revista para divulgar seu trabalho jornalístico.
Conheceu outros autores, trocou experiências e ampliou conexões. Igualmente, participou da Feira do Livro de Lisboa online. “Deu uma corrida na minha vida esse negócio de feira esse ano”, brinca.
A Filosofia do Positivismo e da Coragem
Maria defende duas características essenciais: positivismo e coragem. “A coragem não é a falta de medo. É fazer a coisa com medo”, ensina.
Para ela, todo problema tem um lado positivo. Portanto, a experiência é válida quando enxergamos por esse ângulo. “Não adianta viver várias experiências se você não aprender nada delas”, pontua.
Incentiva mulheres a darem o primeiro passo sempre. “Vai com medo, mas vai. Conta com o que você tem de melhor”, aconselha. Consequentemente, essa filosofia permeia tanto sua vida quanto sua escrita.
Legado Para as Futuras Gerações
O segundo livro já está em produção. Diferentemente do primeiro, abordará várias viagens e países conhecidos após a Holanda. “Tenho muitas viagens ainda para escrever”, adianta.
Maria viaja de quatro a cinco vezes por ano. Sempre leva caderninho e câmera fotográfica. Assim, registra cenários e detalhes que enriquecem suas narrativas posteriormente.
“A melhor coisa que tem nesse livro é enxergar a vida pelo lado positivo”, resume. Além disso, quer deixar registrado para gerações futuras o que testemunhou. Afinal, a escrita imortaliza experiências e sentimentos.
Conselheira e Empreendedora: Múltiplos Papéis
Atualmente, Maria é membro do Conselho de Cidadania dos Países Baixos. Ali, coordena a mesa de empreendedorismo e trabalho. Paralelamente, produz eventos corporativos e culturais.
Mora em uma pequena cidade holandesa com a filha mais nova e o esposo. De lá, comanda todas as operações da MEVA Comunicação Integrada.
“Sou jornalista da hora que acordo até dormir. Amo conectar pessoas”, revela. Portanto, sua missão vai além da escrita: é comunicar pessoas para pessoas.
Uma Mensagem de Esperança
A história de Maria Kens inspira brasileiros dentro e fora do país. Ela prova que nunca é tarde para recomeçar. Ademais, demonstra que desafios podem se transformar em oportunidades.
“Não importa a idade. Tem que estar sempre aprendendo”, aconselha. Consequentemente, incentiva leitura constante através de livros, audiobooks ou podcasts.
Para quem sonha em escrever, deixa uma dica valiosa: “Descreva o que seus olhos veem. Esses detalhes enriquecem muito a observação”. Portanto, comece registrando o cotidiano, mesmo sem técnica apurada.
SERVIÇO
Livro: Jornada Holanda: Minha Autodescoberta
Autora: Maria Evana Ribeiro
Formato: Digital (Amazon) e Físico (Caravelas Livros do Brasil)
Feira do Livro Porto Alegre: Até 15 de novembro – Banca 22 (Santos Livraria)
Revista Coragem Magazine Conexão Holanda
Instagram: @revistaconexaoholanda
Formato: Digital e Físico
Periodicidade: Trimestral
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