Pesquisadora da UFRJ desenvolve polilaminina, proteína capaz de regenerar medula espinhal e devolver movimentos a pacientes paralisados
Uma descoberta que reescreve paradigmas médicos
Durante décadas, lesões na medula espinhal foram consideradas irreversíveis. Quando neurônios se rompiam, a paralisia tornava-se permanente. No entanto, essa realidade começou a mudar graças ao trabalho de uma cientista brasileira.
Tatiana Coelho de Sampaio é professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. Após 28 anos de pesquisa silenciosa e persistente, ela desenvolveu a polilaminina. Trata-se de uma proteína experimental capaz de estimular a regeneração neural.
A descoberta já permitiu que seis pacientes tetraplégicos recuperassem movimentos. Além disso, devolveu autonomia, dignidade e esperança a pessoas que viviam sem perspectivas. Desse modo, o Brasil entrou no centro das discussões científicas internacionais sobre medicina regenerativa.
O que é a polilaminina e como funciona
A polilaminina é extraída da placenta humana. Durante o desenvolvimento embrionário, essa proteína desempenha papel crucial na orientação dos neurônios. Assim, cientistas descobriram que poderiam recriar essa função em laboratório.
Quando aplicada na área lesionada, ela forma uma malha tridimensional. Esse “andaime biológico” guia neurônios danificados a se reconectarem. Portanto, a comunicação entre células nervosas é restaurada, permitindo recuperação de movimentos.
Diferentemente de tratamentos paliativos, a polilaminina atua diretamente na causa do problema. Enquanto terapias convencionais apenas ensinam adaptação, ela promove regeneração real. Os resultados são mais expressivos quando aplicada em até 72 horas após o trauma.
Resultados que surpreendem a comunidade científica
Entre os pacientes está Bruno Drummond de Freitas, bancário de 31 anos. Após acidente de trânsito em 2018, ficou tetraplégico com lesão cervical completa. Acordou sem conseguir mexer braços, pernas, quadril ou abdômen.
Tratado com polilaminina 24 horas após o trauma, recuperou**-se** completamente em cinco meses. Atualmente, Bruno leva vida normal, pratica esportes e não precisa mais de tratamentos. “Hoje consigo mover meu corpo todo. Posso andar, dançar, voar. Recuperei minha independência”, declarou.
Outros cinco pacientes também apresentaram recuperação significativa. Uma mulher de 27 anos recuperou o controle do tronco após queda. Ademais, um homem de 33 anos lesionado por arma de fogo voltou a ter mobilidade parcial.
Segundo o neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima, isso é inédito. “Nenhum estudo havia demonstrado isso até o momento**,** no mundo inteiro”, afirmou. Portanto, a descoberta representa mudança de paradigma na neurociência.
Impacto global e relevância humanitária
Dados da Organização Mundial da Saúde revelam números alarmantes. Entre 250 mil e 500 mil pessoas sofrem lesão medular anualmente no planeta. Nesse contexto, a maioria dos casos decorre de acidentes de trânsito, quedas ou violência.
Globalmente, mais de 15 milhões de pessoas vivem com lesão medular. Essas pessoas enfrentam taxa de mortalidade prematura duas a cinco vezes maior. Além disso, a taxa de desemprego ultrapassa 60% entre adultos com essa condição.
A polilaminina surge como alternativa mais acessível e segura. Por ser baseada em proteína natural, apresenta menor risco de rejeição imunológica. Enquanto isso, tratamentos com células-tronco apresentam maior imprevisibilidade após a aplicação.
Desse modo, a descoberta pode transformar protocolos médicos mundialmente. Sobretudo em países em desenvolvimento, onde custos elevados inviabilizam tratamentos convencionais. A substância utiliza placentas doadas, matéria-prima abundante normalmente descartada após partos.
Ciência pública brasileira na vanguarda mundial
O projeto iniciou**-se** em 2007 nos laboratórios da UFRJ. Posteriormente, em 2018, o laboratório Cristália aderiu ao desenvolvimento. A parceria formal com a universidade foi estabelecida em 2021.
Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (FAPERJ), a pesquisa exemplifica a importância do investimento público. Tatiana destaca que universidades federais permitem pesquisa de longo prazo. Enquanto o mercado evita riscos científicos elevados, a academia sustenta descobertas revolucionárias.
Carolina Alves, presidente da FAPERJ, ressalta o impacto direto do investimento público em ciência. “Isso demonstra que pesquisa básica financiada pelo Estado gera conhecimento transformador”, afirmou. Ademais, a UFRJ detém a patente que protege a tecnologia brasileira contra exploração indevida.
A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, da Universidade Vanderbilt (EUA), dedicou coluna à descoberta. “Quando aparece uma cientista obstinada, a história muda. Assim, ficamos felizes”, escreveu na Folha de S.Paulo.
Reconhecimento internacional e expectativa de Nobel
Especialistas apontam a descoberta como candidata ao Prêmio Nobel de Medicina. Não apenas pelo impacto científico, mas pela esperança concreta oferecida a milhões. Portanto, redes sociais mundiais celebram Tatiana como possível ganhadora do Nobel e mulher do ano.
Pesquisadores de dois grupos nos Estados Unidos investigam polilaminina em outros contextos. Enquanto isso, a Universidade de São Paulo conduz estudos voltados ao tratamento de diabetes. Todos parabenizaram Tatiana e trocam informações regularmente.
Centros de pesquisa na Suíça e nos EUA focam em exoesqueletos e chips eletrônicos. Entretanto, o trabalho de Tatiana concentra-se em regeneração biológica. Dessa forma, não depende de baterias ou equipamentos externos permanentes.
Aprovação regulatória e próximos passos
Em janeiro de 2026, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram aprovação do estudo clínico de fase 1. Essa autorização representa marco histórico no avanço regulatório brasileiro. Assim, possibilita desenvolvimento inédito de terapia para lesões medulares.
O estudo envolverá cinco pacientes voluntários. Os critérios incluem idade entre 18 e 72 anos**,** lesões agudas completas entre vértebras T2 e T10. Além disso, a indicação cirúrgica deve ocorrer em até 72 horas após a lesão.
O ministro Alexandre Padilha ressalta a importância da ação. “Cada avanço científico renova a esperança. Ademais, reforça o compromisso do SUS com a integração da pesquisa clínica”, declarou. Portanto, o tratamento visa criar alternativas reais para regeneração tecidual.
O laboratório Cristália iniciou produção piloto do medicamento. Entretanto, a comercialização aguarda conclusão de todas as fases regulatórias da Anvisa. Inicialmente, o tratamento será restrito a pacientes com lesões recentes.
Perfil da cientista que mudou a medicina
Irmã mais velha de três mulheres, Tatiana foi a única a enveredar para fora das humanidades. “Desde criança quis ser cientista. Como gostava de átomos e partículas, pensei em física”, relembra. Contudo, escolheu biologia para se distanciar do pai, que “sabia tudo de tudo sempre”.
Vive entre samba e pesquisa, gosta de rua e gente. Durante anos, seguia rotina igual: acordava, banhava-se, tomava café. Depois, partia para o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular. Lá, estudava algo de que “ninguém se importava”.
Até setembro de 2025, quando os resultados ganharam notoriedade mundial. Entretanto, Tatiana mantém cautela e humildade. “O que me dá segurança é o retorno de quem está à minha volta. Portanto, tento fazer meu melhor. Sou honesta em mostrar o que está acontecendo”, declarou.
Representatividade feminina na ciência brasileira
A trajetória de Tatiana simboliza resistência feminina na ciência. Mulheres representam minoria em posições de liderança científica no Brasil. Ainda assim, protagonizam descobertas revolucionárias quando recebem apoio adequado.
Enquanto o mundo discute equidade de gênero, Tatiana demonstra a capacidade transformadora das mulheres na pesquisa. Sobretudo em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como neurociência e biomedicina. Dessa forma, inspira a nova geração de cientistas brasileiras.
Perspectivas futuras e impacto social
O objetivo é transformar polilaminina em protocolo padrão de emergência. Se um paciente sofre trauma medular, a injeção nas primeiras horas poderia evitar paralisia permanente. Assim, milhões teriam acesso a tratamento que devolve dignidade.
As parcerias incluem Hospital das Clínicas da USP para cirurgias. Além disso, a AACD participará do tratamento de reabilitação. Portanto, o tratamento requer integração entre biotecnologia e fisioterapia intensiva.
Pacientes com lesões antigas, antes sem perspectivas, podem voltar a se movimentar. Embora os resultados sejam mais expressivos em traumas recentes, estudos mostram benefícios também em casos crônicos. Desse modo, o tratamento combinado com terapias adjuvantes apresenta resultados promissores.
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