Audiovisual brasileiro ganha política de Estado na Nova Indústria Brasil

Setor que representa 0,6% do PIB é integrado oficialmente à NIB; governo aposta em crédito, exportação e soft power para dobrar a participação econômica da produção nacional

Da tela ao PIB: o peso econômico do setor

O audiovisual brasileiro deu um passo estratégico rumo ao reconhecimento como indústria nacional de Estado. Na segunda-feira, 25 de maio de 2025, o Cinesystem Belas Artes, no Rio de Janeiro, foi palco do anúncio oficial do Programa da Nova Indústria do Audiovisual, integrando o setor à Nova Indústria Brasil (NIB).

Promovido pela Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual (FICA), o encontro reuniu representantes do setor produtivo, instituições de fomento e membros do governo federal para debater medidas estruturantes voltadas ao fortalecimento da cadeia produtiva brasileira.

Atualmente, o audiovisual já responde por 0,6% do Produto Interno Bruto do país, superando diversas atividades econômicas tradicionais. Além disso, o setor se caracteriza por empregar mão de obra altamente qualificada e oferecer remuneração acima da média nacional.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a tendência é de expansão contínua com a consolidação da nova política pública:

“O setor audiovisual já representa 0,6% do PIB e a tendência é de crescimento sustentado a partir da efetivação da política para a nova indústria do audiovisual, liderada pelo Ministério da Cultura em parceria com o MDIC, numa das missões da NIB.” — Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC

No horizonte, as frentes governamentais apontam metas ambiciosas: levar essa participação a 1,2% ou até 1,5% do PIB nos próximos anos, por meio de financiamento, crédito estruturado e políticas de exportação.


Cultura e indústria: uma parceria estratégica

Por muito tempo, o audiovisual foi tratado exclusivamente como expressão cultural. No entanto, o governo federal reposiciona o setor como atividade econômica estratégica, essencial ao desenvolvimento nacional.

“O audiovisual não é apenas cultura. É também indústria, geração de emprego, inovação, exportação e desenvolvimento econômico. O presidente Lula compreende a importância estratégica dessa cadeia produtiva e criou condições para que o Brasil tenha uma política estruturante para o setor, com crédito, financiamento, exportação, combate à pirataria e fortalecimento da produção nacional.” — Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC

Desse modo, a política se articula em torno de cinco eixos principais: crédito, financiamento, exportação, combate à pirataria e fortalecimento da produção nacional — todos alinhados às diretrizes da Nova Indústria Brasil.

Ainda segundo o ministro, o Brasil precisa de uma indústria moderna, inovadora, sustentável e capaz de disputar mercados internacionais. Por isso, o audiovisual deve ser tratado como atividade econômica estratégica para o desenvolvimento nacional.


Soft power e internacionalização: o modelo coreano como referência

O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira Lima, trouxe ao debate um referencial global relevante. Assim, destacou como a Coreia do Sul utiliza o audiovisual como instrumento de soft power para disseminar marcas, internacionalizar o país e expandir sua cultura pelo mundo.

Nesse contexto, o papel do MDIC tem sido ampliar o diálogo com produtores para construir linhas de financiamento, estruturas de crédito e políticas públicas eficientes. Sobretudo, o objetivo é posicionar o Brasil de forma competitiva no cenário global da economia criativa.

Por outro lado, a política considera que a narrativa cultural brasileira — reconhecida mundialmente pela sua diversidade e originalidade — é um ativo estratégico ainda subutilizado nas arenas internacionais.


Cinema Novo e nova política: a história se encontra

Vanessa Giacomo, diretora do segmento Talents da FICA, trouxe uma perspectiva artística e simbólica ao evento. Portanto, ressaltou que o Brasil já possui todos os pré-requisitos globais para ser uma potência cultural consolidada.

Para ela, o momento atual exige união de forças para consolidar o audiovisual brasileiro como política de Estado, gerando retorno cultural e econômico simultâneos. Ainda assim, o aspecto mais marcante de sua fala foi o paralelo histórico traçado: o movimento atual pode ter a mesma magnitude da revolução do Cinema Novo, liderada por Glauber Rocha décadas atrás.

Enquanto isso, o setor aguarda a estruturação completa dos mecanismos de fomento e crédito prometidos como pilares da nova política industrial.


Cooperação e novo tempo para a produção nacional

Adair Roberto Carneiro, um dos fundadores da FICA, encerrou o evento com otimismo. Celebrou a cooperação entre a Federação das Câmaras de Comércio Exterior do Brasil (FCCEB) e a FICA como um sinal concreto de articulação institucional. Além disso, expressou entusiasmo com o nascimento de um “novo tempo” para o cinema e a produção nacional, agora respaldados por maior estrutura de fomento e crédito.

Participaram ainda do encontro a presidente da FICA, Walkiria Barbosa, que recebeu o ministro Márcio Elias Rosa, e o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Neto — reforçando o caráter interinstitucional da iniciativa.


Uma política que vai além das telas

A integração do audiovisual brasileiro à Nova Indústria Brasil representa muito mais do que uma medida econômica. Trata-se, portanto, do reconhecimento de que a cultura produzida no país tem valor estratégico, gera desenvolvimento e projeta o Brasil ao mundo.

Com metas claras, participação ativa da cadeia produtiva e respaldo institucional do governo federal, o setor entra em uma nova era. Desse modo, a narrativa nacional — plural, diversa e criativa — passa a contar, finalmente, com o suporte estrutural que sempre mereceu.


Serviço Evento: Programa da Nova Indústria do Audiovisual Data: 25 de maio de 2025 Local: Cinesystem Belas Artes, Rio de Janeiro (RJ) Organização: FICA — Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual Informações adicionais: Evento contou com a presença do Ministério do MDIC, ABDI e representantes da cadeia produtiva nacional

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