Campanhas Eleitorais Sustentáveis: O Que Muda nas Eleições 2026

Regras do TSE, custos e criatividade moldam candidaturas mais verdes; entenda os benefícios para o meio ambiente e a cidadania.

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A cada ciclo eleitoral, as ruas brasileiras se enchem de santinhos, panfletos e faixas descartados sem cuidado. Diante disso, a Justiça Eleitoral endureceu a fiscalização nas Eleições 2026. Tribunais regionais lançaram programas específicos de sustentabilidade para candidaturas.

Por que as campanhas eleitorais sustentáveis viraram exigência

Historicamente, o excesso de material impresso entope bueiros e contamina o solo. Além disso, a propaganda eleitoral, essencial para a comunicação com o eleitor, pode gerar impactos ambientais relevantes, sobretudo no dia da votação.

Nesse contexto, desde 2022 a Justiça Eleitoral incluiu uma norma específica na resolução que disciplina a propaganda. O dispositivo determina que corregedorias regionais criem ações para mitigar a poluição decorrente da campanha.

Ainda assim, a norma preserva a liberdade de campanha: as ações têm caráter propositivo. Portanto, elas não restringem o pleno exercício da propaganda por partidos, federações e candidatos.

Iniciativas regionais dão o tom em 2026

Em São Paulo, o projeto Eleições Sustentáveis orienta o descarte correto de sobras de propaganda. Desde 2022, o programa já destinou mais de 45 mil quilos de resíduos recicláveis ao destino correto.

Já em Pernambuco, a Justiça Eleitoral orienta candidaturas a reduzir materiais impressos e promover destinação adequada aos resíduos. O slogan “Eleição Consciente, Futuro Sustentável” busca sensibilizar candidatos e eleitores.

No Rio Grande do Sul, a campanha institucional “Campanha Sustentável Também é Compromisso Eleitoral” incentiva partidos e eleitores a adotarem práticas ambientalmente responsáveis durante o pleito.

As dúvidas dos candidatos sobre campanhas eleitorais sustentáveis

Para quem está na disputa, a virada sustentável levanta dúvidas concretas sobre visibilidade e orçamento. Muitos temem perder alcance em territórios com acesso digital limitado, sobretudo em regiões periféricas.

Destaque: trocar impressos por papel semente ou biodegradável

Essa é a decisão mais debatida no planejamento das campanhas sustentáveis. A troca exige planejamento financeiro que campanhas menores nem sempre possuem, já que o custo por unidade costuma ser maior.

O papel semente, quando regado e plantado em terra fértil, germina, pois contém sementes em sua composição. Assim, agrega sustentabilidade à campanha, embora eleve o valor final da produção gráfica.

A escala do problema ambiental é expressiva: cada tonelada de papel consome cerca de 20 árvores e 100 mil litros de água. Somente nas eleições municipais de 2012, foram derrubadas aproximadamente 600 mil árvores.

Diante desse impacto, um projeto de lei em tramitação prevê que todo material impresso de campanha seja feito com insumos reciclados ou biodegradáveis. Infratores ficariam sujeitos às penalidades já previstas nos crimes eleitorais.

Enquanto isso, soluções criativas já driblam o custo elevado. Em Fortaleza, um vereador promete campanha sem papel, distribuindo folhas caídas com mensagens escritas à mão — material biodegradável, personalizado e de custo zero.

Custos também pesam em outras frentes, como transporte e eventos de rua. Substituir carro de som por opções menos poluentes, ou copos plásticos por garrafas reutilizáveis, exige investimento extra das equipes.

Por outro lado, muitas campanhas relatam falta de clareza sobre o destino correto do material excedente. Por isso, listas de cooperativas de catadores credenciadas foram divulgadas em diversos estados do país.

Para a candidata a deputada estadual pelo Rio de Janeiro, Bia Bogossian, que pratica a campanha sustentável, essa é a melhor forma de demonstrar ao eleitor o compromisso ambiental durante o processo eleitoral.

Quando o descarte errado vira multa

Ignorar essa etapa tem consequências jurídicas sérias. O derrame de material de propaganda no local de votação, mesmo na véspera da eleição, configura propaganda irregular e sujeita o responsável a multa.

Portanto, planejar o descarte é tão importante quanto planejar a produção do material. Nesse sentido, o ideal é designar alguém da campanha exclusivamente para práticas sustentáveis de propaganda.

O papel de liderança dos candidatos

A responsabilidade não recai apenas sobre a estrutura formal da campanha. Candidatos exercem influência direta sobre colaboradores, cabos eleitorais e eleitores, e devem assumir esse papel social perante a sociedade.

Assim, é importante que reflitam sobre o impacto de suas campanhas e adotem práticas educativas, como o uso de materiais recicláveis e a preferência por meios digitais de divulgação.

Benefícios das campanhas sustentáveis para a sociedade

Quando adotadas de fato, essas práticas trazem ganhos mensuráveis às cidades. Menos entulho nas ruas significa menos bueiros entupidos e menor risco de enchentes durante o período chuvoso.

Em paralelo, a reciclagem de sobras de campanha movimenta a economia solidária local. Camisetas ecológicas, feitas a partir de garrafas PET reaproveitadas, ajudam a gerar renda para catadores e cooperativas.

Sobretudo, há ganhos na qualidade do ar e no silêncio das cidades durante a eleição. Reduzir a queima de combustíveis fósseis em carreatas e comícios preserva a saúde coletiva.

O que diz a legislação

A base constitucional do tema está no direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, que a Constituição Federal impõe ao poder público e à coletividade o dever de preservar.

Complementarmente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos orienta a destinação adequada de sobras de campanha. Somada às normas eleitorais vigentes, forma o alicerce jurídico da sustentabilidade nas eleições.

Bloco de Serviço: como planejar na prática

  • Materiais: priorizar papel reciclado, semente ou biodegradável, mesmo com custo mais alto por unidade
  • Comunicação: ampliar redes sociais, site e horário eleitoral gratuito no lugar da panfletagem massiva
  • Descarte: encaminhar sobras a cooperativas de catadores cadastradas junto ao tribunal regional eleitoral local
  • Eventos: substituir copos e garrafas plásticas por recipientes reutilizáveis em comitês e comícios
  • Informações adicionais: cada tribunal regional eleitoral publica, em seu site oficial, a lista de parceiros de reciclagem para 2026

Campanhas eleitorais sustentáveis: um compromisso além da urna

Em resumo, essas campanhas não eliminam os desafios de comunicação enfrentados pelos candidatos. Contudo, apontam um caminho possível entre visibilidade política e responsabilidade ambiental.

Cabe à sociedade cobrar essa coerência de quem pede seu voto. Para o Portal Uma Só Voz, esse debate reafirma um princípio caro à democracia: representar bem também é cuidar do território que sustenta a vida coletiva.

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