Mostra liga o Cais do Valongo, porta de entrada de africanos escravizados, ao debate atual sobre reparação histórica.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!A exposição Valongo: Justiça pela Memória do Cais propõe um mergulho na história de um dos lugares mais simbólicos da diáspora africana nas Américas.
Além disso, a mostra transforma a memória do porto em ferramenta de debate sobre reparação, reconhecimento e cidadania no Brasil de hoje.
Exposição Valongo: por que o Cais do Valongo ainda importa
O Cais do Valongo, que inspira o título da mostra, remete à chegada forçada de africanos escravizados ao Brasil.
Por isso, o local materializa uma parte dolorosa da história nacional e ajuda a explicar as bases das desigualdades que persistem.
Construído em 1811, no Rio de Janeiro, o cais recebeu centenas de milhares de pessoas sequestradas na África, sobretudo da região Congo-Angola, até 1831.
Do esquecimento ao reconhecimento mundial
Em 1843, porém, o cais foi aterrado para dar lugar a outra estrutura, e a memória do desembarque ficou soterrada por quase 170 anos.
Somente em 2011, obras na zona portuária revelaram as pedras originais, e a descoberta transformou a relação da cidade com o passado.
Mais tarde, em 2017, a Unesco reconheceu o sítio como Patrimônio Mundial, destacando seu valor como testemunho da escravidão e da resistência africana.
Um território de memória
Segundo a Unesco, o Valongo é o mais importante vestígio material da chegada de africanos escravizados ao continente americano.
Nas proximidades, o Cemitério dos Pretos Novos, descoberto em 1996, guarda rastros de quem morreu logo após o desembarque.
Nesse contexto, a Zona Portuária reúne camadas de história que dialogam com a Pequena África, região de forte presença negra no pós-abolição.
Debate sobre histórias e vivências afrodescendentes
Durante a cerimônia de abertura, a programação reserva uma mesa de debates intitulada “Histórias e Vivências Afrodescendentes”.
Entre os convidados está Silviane Lopes da Silva, doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos.
Também participa Jacques d’Adesky, pós-doutor pela Universidade de Paris e coordenador do Centro de Estudos Afro-Asiáticos.
Marcaram presença a Dra. Sabrina Campos da Cunha e o Dr. Gustavo Bastos de Oliveira, Presidente e Secretário Geral da Comissão Brasil-Oriente Médio OAB -RJ e atuam como membros da Comissão Brasil – Africa da OAB RJ.

ªSaberes em diálogo
Desse modo, as trajetórias acadêmicas dos dois especialistas devem enriquecer a discussão sobre memória afro-brasileira e suas implicações socioculturais.
Em paralelo, espaços de escuta como esse permitem que pesquisadores, estudantes e comunidades troquem saberes e questionem narrativas oficiais.
Memória, reparação histórica e cidadania no presente
No entanto, lembrar não basta. O debate em torno do Valongo inclui a necessidade urgente de reconhecimento e de reparações históricas.
A escravidão durou mais de três séculos no território brasileiro e só foi abolida formalmente em 1888, com a Lei Áurea.
Ainda assim, a abolição não veio acompanhada de políticas de inclusão, o que ajuda a explicar as desigualdades raciais observadas até hoje.
Educação e políticas de memória
Nesse sentido, iniciativas como a Lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, ganham papel complementar.
Sob essa perspectiva, exposições públicas aproximam a população de narrativas que, por muito tempo, ficaram à margem dos livros e dos currículos.
Para escolas, pesquisadores e coletivos negros, a visibilidade do tema amplia o acesso à cultura e fortalece a luta por políticas de memória.
Parcerias que fortalecem a memória afrodescendente
A realização da exposição Valongo conta com o apoio do Consulado-Geral da República de Angola no Rio de Janeiro.
Completam o grupo de apoiadores a Câmara de Comércio, Indústria, Turismo, Ciência, Tecnologia e Cultura Brasil-Angola (CCB), o Instituto Multi e a Odarah Afrocultural.
Angola e o elo histórico
Angola, vale lembrar, figura entre as principais origens das pessoas desembarcadas no Valongo. Por isso, o apoio angolano tem forte sentido histórico.
Dedicadas à valorização da cultura afro-brasileira, essas instituições promovem as vivências afrodescendentes e reforçam a formação da identidade cultural brasileira.
Exposição Valongo: a justiça começa pela memória
Em síntese, a exposição Valongo se consolida como oportunidade de aprendizado e de respeito às raízes históricas que moldaram o Brasil.
Mais do que olhar para trás, o Valongo convida a encarar o presente, no qual memória e justiça caminham juntas.
Portanto, cabe à sociedade converter esse espaço de diálogo em compromisso coletivo com a verdade histórica, a igualdade e a cidadania.
Assim, o Portal Uma Só Voz reafirma seu compromisso com a cidadania, a cultura e a memória de um país que precisa se reconhecer inteiro.











