Palavra Pintura: Clarice Lispector, Jung e Bachelard na Mesa de Carla Ramos

A psicóloga e escritora curitibana une literatura, psicologia junguiana e alquimia para mostrar como a escrita de Clarice Lispector transforma quem a lê.

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Uma escritora de oito anos que nunca parou

Tudo começou com uma redação escolar sobre natureza. Aos oito anos, Carla Ramos entregou à professora um texto em forma de poesia — e transformou o rumo da própria vida.

Criança introspectiva, ela sofria bullying pelo silêncio que carregava. No entanto, foi exatamente esse silêncio interior que abriu espaço para a escrita florescer dentro dela.

Atualmente, Carla acumula títulos que poucos profissionais reúnem. Além de psicóloga junguiana, é mestre em teoria literária, especialista em marketing e apresentadora do programa Alquimistas do Agora.


A tese que reuniu três gigantes do pensamento

Por trás do mestrado em teoria literária, reside uma ideia verdadeiramente ousada. Carla propôs uma “távola redonda” imaginária entre Clarice Lispector, Gaston Bachelard e Carl Gustav Jung.

A obra escolhida foi Água Viva, publicada em 1974. Nesse livro, Clarice narra sua transição entre a pintura e a escrita — criando imagens com palavras e palavras com imagens.

Desse cruzamento criativo e filosófico, nasceu o conceito central da tese: palavra pintura. Trata-se da fusão entre imagem e linguagem escrita que provoca efeitos reais no inconsciente do leitor.


Bachelard e a filosofia das emoções

Gaston Bachelard foi o primeiro pensador convidado à mesa imaginária. Sua filosofia da mitopoese classifica os elementos — água, fogo, ar e terra — como estruturas emocionais profundas do ser humano.

Nesse sentido, a água presente em Água Viva dialoga diretamente com o livro A Água e os Sonhos, do filósofo francês. Ambas as obras apontam para o sentimento como força motriz da existência.

Desse modo, Bachelard explica com precisão o fenômeno que a própria orientadora de Carla vivenciou durante a pesquisa. Ao ler o livro para orientar a tese, a professora começou a reviver emoções há muito represadas.


Jung, os arquétipos e o inconsciente coletivo

Jung chegou à távola para ampliar o que Bachelard havia inaugurado. Os complexos individuais, segundo ele, são reflexos diretos de arquétipos presentes em toda a humanidade.

Portanto, o que Clarice viveu, o que a orientadora sentiu e o que cada leitor experimenta ao longo da leitura não é um fenômeno isolado. Tudo pertence ao que Jung denominou inconsciente coletivo.

Além disso, Jung recorre à alquimia para explicar as fases da transformação interior do ser. A nigredo — a noite escura da alma — precede necessariamente o albedo, o amanhecer pleno do ser.


A liberdade de não ser perfeito

Um dos pontos mais impactantes da tese é também o mais profundamente humano. Carla cita uma frase que a marcou: “O contrário da perfeição é ser humano.”

Sobretudo neste tempo marcado por cobranças impossíveis, burnout e ansiedade generalizada, essa ideia ganha força e urgência social. Jung liberta o indivíduo da tirania dos arquétipos inatingíveis.

Nesse contexto, os tipos psicológicos junguianos — sensação, intuição, pensamento e sentimento — auxiliam cada pessoa a compreender seu modo único e legítimo de existir no mundo.


Oficinas, academia e impacto social

O trabalho de Carla não permanece restrito aos muros da academia. Por meio de oficinas literárias e psicológicas, ela leva esses conceitos a pessoas comuns em busca genuína de autoconhecimento.

Ainda assim, o rigor acadêmico permanece presente em toda a sua trajetória. Recentemente, foi convidada como membro fundadora da NALAB — Núcleo Acadêmico de Letras e Artes de Brasília.

Por outro lado, sua atuação prática já rendeu reconhecimentos públicos expressivos, entre eles o Troféu Destaque Paraná 2025, nas categorias psicóloga, escritora e apresentadora.


O livro que está por vir

A tese defendida no mestrado será transformada em livro. A obra se chamará Palavra Pintura na Literatura e promete oferecer ao grande público esse encontro singular entre arte, psique e linguagem.

Enquanto isso, Carla já projeta um doutorado que aprofunde a teoria literária no campo da subjetividade humana. A pesquisadora, definitivamente, não pretende parar por aqui.

Assim, o que começou com uma poesia escrita aos oito anos consolida-se como um projeto de vida inteiro — inteiramente dedicado a libertar pessoas por meio da palavra.


Serviço

  • Canal no YouTube: Saúde com Vida Sustentável: Alquimistas do Agora
  • Instagram: @nicarramos.mkt
  • WhatsApp: +55 (41) 99586-6024
  • Localização: Curitiba, Paraná — Brasil

Uma só voz que ecoa no coletivo

Carla Ramos representa um tipo raro de intelectual brasileira. Ela transita com naturalidade entre a clínica, a academia, o palco e a página — sem abandonar nenhum desses territórios essenciais.

Dessa forma, seu trabalho opera em múltiplas camadas simultâneas: cura quem lê, forma quem estuda e inspira quem ainda não ousou escrever a primeira palavra. Cada pecinha, como ela mesma afirma, fecha o quebra-cabeça maior.

Afinal, quando uma voz individual alcança o coletivo com verdade, cuidado e profundidade, o impacto transcende o livro, ultrapassa a tese e se converte em legado duradouro para a cultura brasileira.

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