Festa literária reuniu multidão em quatro dias de cultura, diversidade e memória negra no Reserva Cultural de São Domingos.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Niterói viveu, entre os dias 13 e 16 de agosto, quatro dias dedicados à literatura, à memória e à pluralidade cultural.
A Festa Literária Internacional de Niterói, a FLIN, ocupou o complexo Reserva Cultural, em São Domingos, com programação totalmente gratuita.
Nesta edição, o tema escolhido foi “Territórios das Palavras”. A homenageada foi Lélia Gonzalez, filósofa, antropóloga e ativista mineira, reconhecida como uma das mais importantes intelectuais negras do país.
Desse modo, o festival reafirmou seu papel como espaço de encontro entre literatura, música, teatro, audiovisual e pensamento crítico.
A realização ficou a cargo da Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN).
Um festival pensado a partir da diversidade
Sobretudo, a curadoria da FLIN 2026 priorizou vozes plurais, entre autoras negras, indígenas e periféricas.
Nomes como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves e Eliana Alves Cruz ocuparam os palcos principais.
Além disso, o evento contou com participações internacionais, como as dos escritores angolano Ondjaki e português Valter Hugo Mãe.
Assim, a festa ampliou seu diálogo com a literatura de língua portuguesa.
Enquanto isso, a Academia Brasileira de Letras e a Biblioteca Nacional firmaram parceria inédita com o festival.
Catorze acadêmicos da ABL participaram de mesas ao longo dos quatro dias de programação.
Por outro lado, a acessibilidade também foi prioridade da organização. A programação contou com intérpretes de Libras e recursos de audiodescrição em suas atividades.
Território, autoria local e mercado editorial
Nesse contexto, a FLIN reservou espaço relevante para autores independentes e editoras da própria região metropolitana.
Foram registrados 257 autores de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.
Ainda assim, o número de editoras participantes cresceu em relação à edição anterior, passando de dez para 13.
Três livrarias comercializaram cerca de quatro mil livros durante o evento.
Portanto, a feira também funcionou como vitrine de sustentação econômica para o setor editorial independente.
Editoras e livrarias foram cadastradas para receber o Cartão Arariboia, moeda social utilizada em Niterói.
Da mesma forma, o espaço infantil “Nikitinhos” garantiu programação voltada às crianças e às famílias.
Contação de histórias, musicalização e atividades lúdicas atraíram público de todas as idades.
Entre as autoras presentes, a escritora Sabrina Campos da Cunha marcou presença na FLIN 2026 com sua obra “Três”.
Ela integrou o estande da REDE SEM FRONTEIRAS, ao lado de outros autores.


Impacto social e simbólico da homenagem
Nesse sentido, escolher Lélia Gonzalez como homenageada reforçou o compromisso do festival com a memória negra brasileira.
A pensadora dedicou sua obra ao cruzamento entre racismo, gênero e colonialismo.
Consequentemente, mesas de debate discutiram ativismo, narrativas lésbicas, maternidade e desigualdades sociais a partir de recortes raciais.
A programação buscou dialogar diretamente com pautas contemporâneas de direitos humanos.
Diante disso, representantes de academias de letras destacaram o caráter coletivo da construção do festival.
Para a presidente da Associação Fluminense de Letras, Márcia Pessanha, a FLIN já é um marco da cidade.
Segundo ela, a festa “mostra também a força da construção coletiva e da inclusão, reunindo instituições, autores, leitores e toda a cidade em torno do conhecimento e da cultura”.
Serviço
Evento: Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026 Data: 13 a 16 de agosto de 2026 Local: Reserva Cultural de Niterói — Av. Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos, Niterói (RJ) Entrada: Gratuita Realização: Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN) e do projeto Niterói Livros Informações adicionais: detalhes sobre próximas edições são divulgados no perfil oficial @flinoficial no Instagram
Uma festa que fica na memória da cidade
Em síntese, a FLIN 2026 consolidou Niterói como polo literário de relevância nacional.
A homenagem a Lélia Gonzalez deu contorno simbólico a uma edição marcada pela pluralidade.
Por fim, o festival demonstrou que cultura, diversidade e memória caminham juntas quando o território abre espaço para múltiplas vozes.
A palavra, mais uma vez, encontrou seu lugar coletivo.
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