Cerimônia de 22 de abril de 2026 reuniu diplomatas, líderes religiosos e representantes da comunidade armênia para honrar os 111 anos do extermínio de 1,5 milhão de pessoas pelo Império Otomano.
Uma data gravada na memória do mundo
Todo ano, em 24 de abril, o povo armênio para. Essa data marca o início do extermínio sistemático de cerca de 1,5 milhão de pessoas pelo Império Otomano, a partir de 1915. Nesse contexto, a Câmara Municipal do Rio de Janeiro realizou, em 22 de abril de 2026, uma sessão solene em memória das vítimas do genocídio armênio.
Além de ser um ato de memória coletiva, a cerimônia representou um chamado ao reconhecimento oficial. Portanto, mais do que um evento protocolar, tornou-se um espaço de afirmação cultural, política e humana — relevante para toda a sociedade brasileira.
Diplomacia e sociedade civil reunidas em torno da história
A mesa de honra reuniu representantes diplomáticos da França e do Egito, membros da Igreja Ortodoxa Armênia e lideranças da sociedade civil brasileira, entre elas o presidente do Clube de Engenharia. Sobretudo, a presença diplomática conferiu ao evento uma dimensão internacional incomum para uma sessão municipal.
Desse modo, a abertura com os hinos nacionais da Armênia e do Brasil simbolizou o laço histórico entre os dois países, forjado por décadas de migração e acolhimento. Ainda assim, a cerimônia foi além do protocolo e tocou em feridas históricas ainda abertas.Discursos que unem memória e responsabilidade política
Por meio de um vídeo, o vereador Pedro Duarte ressaltou a importância de nunca esquecer as perseguições motivadas por etnia ou religião. Assim, reforçou que rememorar o genocídio armênio é, sobretudo, um ato de proteção para o presente e para o futuro.
Em seguida, o vereador Marcos Dias ampliou o debate ao citar projetos de lei de sua autoria contra o antissemitismo e o negacionismo do Holocausto. Para ele, a memória exige atitude concreta. Por outro lado, lembrar sem agir seria apenas uma homenagem vazia, sem compromisso real com a dignidade humana.
“A memória deve ser acompanhada de atitude.” — Vereador Marcos Dias
O peso histórico de ser a primeira nação cristã
Um documentário exibido durante a sessão contextualizou a profundidade histórica do genocídio armênio. A Armênia foi a primeira nação a adotar oficialmente o Cristianismo — e foi exatamente por sua identidade étnica e religiosa que se tornou alvo de extermínio sistemático a partir de 24 de abril de 1915.
Entre os crimes documentados estavam as marchas forçadas pelo deserto da Síria e o assassinato deliberado de intelectuais armênios. Além disso, outras comunidades cristãs da região também foram atingidas pelo mesmo processo de limpeza étnica promovido pelo Império Otomano.Vozes da diáspora: testemunhos de sobrevivência e gratidão
Abraham Kulajian, comissário para assuntos da diáspora armênia, destacou o papel do Brasil como terra de refúgio e agradeceu ao povo brasileiro em nome de toda a comunidade. Enquanto isso, Arão Mardirosian compartilhou a história de sua própria família, que chegou ao Brasil nos anos 1930 em busca de segurança e recomeço.
Francis Bogocian, presidente do Clube de Engenharia, foi ainda mais direto: fez um apelo formal pelo reconhecimento federal do genocídio armênio pelo governo brasileiro. Nesse sentido, lembrou que estados como Rio de Janeiro e São Paulo já avançaram nessa direção, mas a União ainda não se posicionou oficialmente.
Cultura armênia como ato de resistência e esperança
As cantoras Rosana e Ana Carolina apresentaram canções em língua armênia ao longo do evento. Desse modo, a música assumiu um papel simbólico poderoso: as letras abordavam pátria, dor da perda e esperança de reconstrução — temas que atravessam gerações.
Portanto, a arte não foi ornamento da cerimônia, mas parte essencial de sua mensagem. Afinal, qualquer discurso sobre genocídio corre o risco de se tornar abstrato sem a voz humana que o ancora na experiência vivida.
Serviço
Data: 22 de abril de 2026
Local: Câmara Municipal do Rio de Janeiro — Plenário
Horário: Sessão solene com início às 18h
Informações adicionais: A cerimônia incluiu exibição de documentário histórico sobre o genocídio armênio, depoimentos da diáspora e apresentações musicais em língua armênia.Uma lição de sobrevivência que pertence a toda a humanidade
Ao encerrar a sessão, a mensagem foi clara: a história do povo armênio não pertence apenas aos armênios. Trata-se, sobretudo, de um espelho para qualquer sociedade comprometida com a dignidade humana e com a não repetição do horror.
No entanto, lembrar não basta. A luta pelo reconhecimento oficial do genocídio armênio pelo governo federal brasileiro permanece viva e urgente. Ainda assim, cada cerimônia como esta é mais uma pedra no alicerce da memória coletiva — e da consciência histórica.
Assim, o Rio de Janeiro, cidade que acolheu gerações de refugiados armênios, reafirma que a história desse povo é parte da sua própria história. O esquecimento nunca será uma opção.
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